Regra 50-30-20: como dividir o salário e adaptar ao Brasil
Entenda a regra 50 30 20, veja como calcular sobre a renda líquida com exemplos em reais e aprenda a adaptar o método quando o custo fixo passa de 50%.
9 min de leitura
Descubra quanto gastar com aluguel pela sua renda líquida, some condomínio, IPTU e contas no custo da moradia e veja uma tabela e um exemplo em reais.
Equipe TobboAtualizado em 10 min de leitura

Uma referência comum é gastar até cerca de 30% da renda líquida com o aluguel. Não é lei, é um ponto de partida. O mais importante é olhar o custo total da moradia, somando condomínio, IPTU, garantia e contas da casa, que de preferência não deve passar de 35% a 40% da renda.
Achar um apartamento bom é difícil. Achar um que caiba no bolso é ainda mais. E muita gente só descobre que o aluguel ficou pesado demais depois de assinar o contrato, quando o condomínio, o IPTU e as contas de luz começam a chegar e o mês passa a fechar no vermelho.
O valor anunciado do aluguel é só uma parte do custo de morar. Condomínio, IPTU, seguro, garantia, mudança e contas da casa podem somar quase o mesmo valor do aluguel em alguns imóveis. Por isso a pergunta certa não é "quanto posso pagar de aluguel?", mas "quanto posso gastar para morar?".
Neste artigo você vai ver de onde vem a regra dos 30%, como calcular o limite pela sua renda, quais custos somar além do aluguel, um exemplo completo em reais, o que muda quando você divide a moradia e como funciona o reajuste anual.
A referência mais repetida é gastar até 30% da renda com aluguel. Ela aparece em conselhos de educação financeira e também na análise de crédito de muitas imobiliárias, que costumam pedir renda de cerca de três vezes o valor do aluguel. As duas ideias são parecidas: se o aluguel é um terço da renda, sobram dois terços para todo o resto.
É importante ter claro o que essa regra não é:
Use a regra como ponto de partida e ajuste ao seu orçamento. Ela conversa bem com a regra 50-30-20, em que moradia, contas, mercado e transporte dividem os 50% de necessidades. Se só a moradia levar 45%, sobra muito pouco para o resto do básico.
Faça a conta sobre o que efetivamente cai na sua conta, depois de INSS, Imposto de Renda e outros descontos. A imobiliária pode olhar a renda bruta para aprovar o cadastro, mas quem paga as contas é a líquida.
Para quem tem renda variável, como autônomos e comissionados, use a média dos últimos 6 a 12 meses ou, de forma mais prudente, o valor de um mês fraco. O aluguel vence todo mês, mesmo nos meses ruins.
| Renda líquida mensal | Aluguel até 25% | Aluguel até 30% | Custo total de moradia até 35% |
|---|---|---|---|
| R$ 2.000 | R$ 500 | R$ 600 | R$ 700 |
| R$ 3.000 | R$ 750 | R$ 900 | R$ 1.050 |
| R$ 4.000 | R$ 1.000 | R$ 1.200 | R$ 1.400 |
| R$ 5.000 | R$ 1.250 | R$ 1.500 | R$ 1.750 |
| R$ 7.000 | R$ 1.750 | R$ 2.100 | R$ 2.450 |
| R$ 10.000 | R$ 2.500 | R$ 3.000 | R$ 3.500 |
A coluna de 25% é para quem tem dívidas, dependentes ou renda instável e quer mais folga. A coluna de custo total inclui aluguel, condomínio, IPTU, garantia e contas fixas da casa.
Antes de se apaixonar por um imóvel, some tudo o que você vai pagar para morar nele.
Juliana recebe R$ 4.500 líquidos e encontrou dois apartamentos. Pela regra dos 30%, o aluguel poderia ir até R$ 1.350 (4.500 × 0,30), e o custo total até R$ 1.575 (4.500 × 0,35).
| Item mensal | Apartamento A | Apartamento B |
|---|---|---|
| Aluguel | R$ 1.300 | R$ 1.000 |
| Condomínio | R$ 450 | R$ 300 |
| IPTU (anual ÷ 12) | R$ 80 | R$ 50 |
| Seguro-fiança (anual ÷ 12) | R$ 100 | Sem custo mensal, garantia por caução |
| Luz, água, gás e internet | R$ 250 | R$ 250 |
| Custo total de moradia | R$ 2.180 | R$ 1.600 |
| % da renda líquida | cerca de 48% | cerca de 36% |
Os percentuais saem de R$ 2.180 ÷ R$ 4.500, que dá 48,4%, e de R$ 1.600 ÷ R$ 4.500, que dá 35,6%.
O apartamento A parece caber: o aluguel de R$ 1.300 está abaixo dos R$ 1.350 da regra. Mas o custo total chega a quase metade da renda, e Juliana ficaria com R$ 2.320 (4.500 − 2.180) para mercado, transporte, saúde, lazer e reserva.
O apartamento B tem um aluguel R$ 300 menor e condomínio R$ 150 menor. No total, a diferença é de R$ 580 por mês (2.180 − 1.600), ou R$ 6.960 em um ano. O custo total fica um pouco acima dos 35%, mas dentro de uma margem razoável.
O ponto de atenção do B é a caução. Se o proprietário pedir três meses de aluguel, Juliana precisa de R$ 3.000 na entrada (1.000 × 3). Esse dinheiro não deve sair da reserva de emergência: o ideal é juntar antes ou negociar outra garantia.
Quando o aluguel não cabe, a decisão que mais pesa no orçamento costuma ser com quem morar, e não o quanto cortar em outros gastos.
| Situação | Vantagens | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| Morar sozinho | Privacidade, liberdade de escolha | Paga todo o custo fixo sozinho |
| Dividir com amigo ou colega | Custo cai quase pela metade | Combinar regras, contas e o que acontece se um sair |
| Dividir com o parceiro | Divide custo e organiza a vida a dois | Definir se a divisão é igual ou proporcional à renda |
| Ficar com a família por mais tempo | Permite montar reserva e juntar para a entrada | Contribuir com as despesas da casa e ter prazo definido |
Um exemplo: um apartamento de dois quartos com aluguel e condomínio de R$ 2.400 custa R$ 1.200 para cada um se dividido em partes iguais. Em comparação com um apartamento de um quarto de R$ 1.800, a economia é de R$ 600 por mês por pessoa.
Se for dividir com o parceiro e as rendas forem diferentes, a divisão proporcional costuma ser mais justa. O guia sobre como dividir as contas do casal mostra o cálculo. Em qualquer caso, deixe claro quem assina o contrato: quem assina responde pelo aluguel inteiro perante o proprietário.
O contrato de locação residencial é regido pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991). Alguns pontos que afetam diretamente o seu orçamento:
Um exemplo de reajuste com índice hipotético: se o aluguel é de R$ 1.300 e o índice acumulado em 12 meses for de 4%, o novo valor passa a R$ 1.352 (1.300 × 1,04). Se o índice tiver subido muito, vale negociar com o proprietário. Muitos aceitam um reajuste menor para não perder um inquilino que paga em dia. Para entender como a inflação afeta preços como esse, veja o artigo sobre IPCA e inflação.
Para dúvidas específicas sobre o seu contrato, consulte o texto da lei e, se necessário, um advogado ou a Defensoria Pública. Este artigo é educacional e não substitui orientação jurídica.
Se ainda estiver em dúvida, o método do artigo sobre como saber se posso comprar algo também vale para assumir um gasto fixo novo: simule o orçamento com o valor novo por alguns meses antes de decidir.
Antes de fechar um contrato, você pode perguntar ao "Posso gastar?" se um novo aluguel cabe no seu mês. O Tobbo olha suas contas, faturas, orçamentos e metas e responde com sinceridade, inclusive quando a resposta é não. Com as transações importadas pelo Open Finance e categorizadas por IA, dá para ver quanto a moradia já pesa hoje e criar um orçamento para a categoria. No plano gratuito, o "Posso gastar?" pode ser usado 5 vezes por mês; no Tobbo Premium, sem limite.
Uma referência comum é até cerca de 30% da renda líquida só com o aluguel, e até 35% a 40% com o custo total de moradia, somando condomínio, IPTU, seguro e contas da casa. Não é uma regra legal, é um ponto de partida. Quem tem dívidas, dependentes ou renda instável deve mirar valores menores para manter folga no orçamento.
Para o seu orçamento, use a renda líquida, que é o valor que cai na conta depois de INSS, Imposto de Renda e outros descontos. Algumas imobiliárias analisam a renda bruta para aprovar o cadastro, mas as contas do mês são pagas com o líquido. Calcular sobre o bruto faz o aluguel parecer mais barato do que realmente é.
Na regra dos 30% em sentido estrito, não. Mas o que importa para o orçamento é o custo total de morar. Por isso some aluguel, condomínio, IPTU mensalizado, seguro e contas da casa e compare com a renda líquida. Um aluguel barato com condomínio alto pode pesar mais do que um aluguel um pouco maior sem condomínio.
O reajuste costuma ser anual, na data de aniversário do contrato, pelo índice definido no próprio contrato, normalmente o IGP-M ou o IPCA. O novo valor é o aluguel atual multiplicado pela variação acumulada do índice em 12 meses. Se a variação for alta, é possível negociar um percentual menor com o proprietário, principalmente se você paga em dia.
Para muita gente, sim. Dividir um imóvel maior costuma sair mais barato por pessoa do que morar sozinho num menor, e a economia pode ir para a reserva ou para a entrada de um imóvel. O cuidado é combinar por escrito como serão divididas as contas, quem assina o contrato e o que acontece se uma das pessoas quiser sair antes.
Revisão: Equipe editorial do Tobbo Finanças
Somos o time que constrói o Tobbo Finanças, um app de finanças pessoais e do casal, grátis para começar, com Open Finance. Escrevemos guias com base em fontes oficiais (Banco Central, Receita Federal, Tesouro Direto, B3, FGC) e em como as pessoas realmente lidam com dinheiro.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.
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