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Controle de gastos

13º salário: o que fazer com ele, em ordem de prioridade

Veja o que fazer com o 13º salário, em que ordem usar o dinheiro (dívidas, reserva, gastos de janeiro, metas) e um exemplo em reais de como dividir.

Atualizado em 10 min de leitura

Resposta rápida

Uma ordem que funciona para a maioria das pessoas é usar o 13º primeiro para quitar dívidas caras, como rotativo e cheque especial, depois montar ou completar a reserva de emergência, em seguida separar as despesas de início de ano, como IPVA, IPTU e material escolar, e só então investir em objetivos ou gastar com lazer.

Pontos-chave

  • O 13º é pago em até duas parcelas, a primeira até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro.
  • A primeira parcela vem sem descontos; INSS e IR são descontados na segunda.
  • Dívidas caras vêm antes de qualquer investimento, porque os juros delas são maiores.
  • Separar IPVA, IPTU e material escolar evita começar o ano no cartão.
  • Definir o destino antes de o dinheiro cair reduz a chance de ele sumir em compras de fim de ano.
Neste artigo
  1. Como funciona o 13º salário
  2. A ordem de prioridade para usar o 13º
  3. Exemplo prático: dividindo o 13º em reais
  4. Erros comuns com o 13º
  5. E quem não recebe 13º?
  6. Como o Tobbo ajuda
  7. Fontes oficiais e leituras
  8. Perguntas frequentes

O 13º salário é o dinheiro extra mais esperado do ano. Ele chega bem no meio da temporada de promoções, festas e presentes, e é por isso que, para muita gente, desaparece em poucas semanas. Em janeiro, chegam IPVA, IPTU, material escolar e a fatura das compras de dezembro, e o ano começa no aperto.

Não precisa ser assim. Com um plano simples, decidido antes de o dinheiro cair, o 13º pode quitar uma dívida que atrapalha há meses, completar a reserva de emergência ou deixar o começo do ano tranquilo. E ainda sobra para aproveitar as festas sem culpa.

Neste guia você vai entender como e quando o 13º é pago, o que é descontado, a ordem de prioridade para usar o dinheiro, um exemplo completo em reais e os erros mais comuns de fim de ano.

Como funciona o 13º salário

O 13º salário, ou gratificação natalina, foi criado pela Lei 4.090/1962. Tem direito quem trabalha com carteira assinada, além de trabalhadores domésticos, rurais e avulsos. Aposentados e pensionistas do INSS recebem o abono anual, que segue um calendário próprio definido a cada ano.

O valor é proporcional aos meses trabalhados no ano: 1/12 do salário para cada mês, e conta como mês inteiro a fração de 15 dias ou mais trabalhados. Quem trabalhou o ano todo recebe o equivalente a um salário bruto. Quem entrou em julho, por exemplo, recebe 6/12, ou seja, meio salário.

Datas de pagamento

Pela Lei 4.749/1965, o 13º pode ser pago em até duas parcelas:

ParcelaPrazo máximoO que vemDescontos
1ª parcela30 de novembroMetade do salário bruto do mês anteriorNenhum
2ª parcela20 de dezembroO restante do 13ºINSS e Imposto de Renda sobre o valor total

A empresa pode antecipar a primeira parcela entre fevereiro e novembro, e o trabalhador pode pedir para recebê-la junto com as férias, desde que faça o pedido no mês de janeiro. Também é possível que a empresa pague tudo de uma vez, desde que respeite o prazo da primeira parcela.

Por que a segunda parcela vem menor

A primeira parcela vem cheia, sem descontos. Todos os descontos do 13º, INSS e Imposto de Renda, são calculados sobre o valor total e descontados na segunda parcela. Por isso ela costuma vir bem menor do que a primeira, o que pega muita gente de surpresa.

O Imposto de Renda sobre o 13º é de tributação exclusiva na fonte: ele é calculado separadamente do salário do mês e não se mistura com os outros rendimentos no ajuste anual. Na declaração, o 13º aparece numa ficha própria, de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Para entender a lógica geral do imposto, veja o guia sobre Imposto de Renda pessoa física.

Como as tabelas de INSS e IR mudam com o tempo, a melhor forma de saber o valor líquido é olhar o holerite ou pedir uma simulação ao RH. Para planejar, use uma estimativa conservadora.

A ordem de prioridade para usar o 13º

Não existe uma divisão perfeita para todo mundo, mas existe uma ordem que faz sentido para a maioria das pessoas. A lógica é simples: primeiro o que custa mais caro, depois o que protege, depois o que já tem data marcada e por último o que é desejo.

PrioridadeDestinoPor que nessa posição
1Dívidas caras (rotativo, cheque especial, empréstimo pessoal caro)Os juros dessas dívidas costumam ser muito maiores do que qualquer rendimento de investimento conservador
2Reserva de emergênciaEvita que o próximo imprevisto vire dívida nova
3Despesas de início de anoIPVA, IPTU, matrícula e material escolar têm data certa e costumam ir para o cartão
4Objetivos e investimentosViagem, troca de carro, entrada de imóvel, aposentadoria
5Presentes e lazerCom um valor definido antes, sem comprometer o resto

1. Dívidas caras

Se você tem saldo no rotativo do cartão, no cheque especial ou em parcelamentos com juros altos, o 13º é a melhor chance do ano para se livrar deles. Quitar uma dívida que cobra juros altos é, na prática, um "rendimento" garantido igual à taxa que você deixa de pagar.

Antes de pagar, vale tentar negociar um desconto para quitação à vista. Bancos e financeiras costumam dar abatimento quando recebem o valor de uma vez, e feirões de renegociação acontecem periodicamente. Os guias sobre como sair das dívidas do cartão e como sair do cheque especial mostram como montar esse plano.

Dívidas baratas, como um financiamento imobiliário com juros baixos, normalmente não precisam ser antecipadas antes de você ter reserva.

2. Reserva de emergência

Sem reserva, qualquer imprevisto volta para o cartão, e o ciclo recomeça. Se você ainda não tem nada guardado, use parte do 13º para criar ao menos uma reserva inicial, de um mês do seu custo de vida. Se já tem uma reserva em construção, o 13º acelera bastante o caminho. O artigo sobre quanto ter de reserva de emergência explica como calcular a meta.

O dinheiro da reserva precisa de baixo risco e liquidez diária. As opções mais comuns estão no guia sobre onde guardar a reserva de emergência.

3. Despesas de início de ano

Janeiro e fevereiro concentram despesas que já se sabe que virão: IPVA, IPTU, licenciamento, matrícula, material escolar, uniforme, às vezes o seguro do carro. Muitas prefeituras e estados oferecem desconto para pagamento à vista de IPTU e IPVA. Confira as regras do seu município e do seu estado, porque mudam de um lugar para outro.

Separe o valor dessas despesas assim que o 13º cair, numa conta ou caixinha à parte. Assim o dinheiro não se mistura com o do dia a dia.

4. Objetivos e investimentos

Sem dívidas caras, com reserva completa e com o começo do ano coberto, o 13º pode ir para metas de médio e longo prazo: uma viagem, a troca do carro, a entrada de um imóvel, a aposentadoria. Quanto mais cedo esse dinheiro começa a render, maior o efeito dos juros compostos ao longo dos anos.

5. Presentes e lazer

Aproveitar o fim de ano também faz parte. A diferença é definir o valor antes. Um teto para presentes e festas, decidido com calma, evita que o 13º inteiro vá embora em compras por impulso.

Exemplo prático: dividindo o 13º em reais

Rafael trabalha com carteira assinada há mais de um ano e recebe R$ 4.000 brutos por mês. O 13º dele será de R$ 4.000 brutos, pagos em duas parcelas:

  • 1ª parcela, até 30 de novembro: R$ 2.000 (metade do bruto, sem descontos).
  • 2ª parcela, até 20 de dezembro: R$ 2.000 menos os descontos de INSS e IR sobre o total.

Para planejar, Rafael usou um valor hipotético de R$ 400 em descontos, o que deixa a segunda parcela em R$ 1.600 (2.000 − 400). O total líquido estimado é de R$ 3.600 (2.000 + 1.600). O valor real vai aparecer no holerite de dezembro.

A situação dele: um parcelamento de fatura com saldo de R$ 1.500 e juros altos, uma reserva de emergência de apenas R$ 1.200 e um IPVA de R$ 800 em janeiro. Ele montou este plano:

DestinoValorQuando
Quitar o saldo do parcelamento da faturaR$ 1.500Com a 1ª parcela
Reforço da reserva de emergênciaR$ 1.000R$ 500 com a 1ª e R$ 500 com a 2ª parcela
IPVA de janeiroR$ 800Com a 2ª parcela, separado numa caixinha
Presentes e ceiaR$ 300Com a 2ª parcela
TotalR$ 3.600

A primeira parcela, de R$ 2.000, cobriu a quitação (R$ 1.500) e metade do reforço da reserva (R$ 500). A segunda, de R$ 1.600, foi para os outros R$ 500 da reserva, o IPVA (R$ 800) e os presentes (R$ 300). As contas fecham: 500 + 800 + 300 = R$ 1.600.

Resultado: Rafael entra no ano sem a dívida, com a reserva passando de R$ 1.200 para R$ 2.200 e com o IPVA pago sem cartão. Além disso, a parcela mensal que ia para o parcelamento da fatura fica livre a partir de janeiro e pode ir direto para a reserva.

Outro cenário: sem dívidas e com reserva completa

Camila recebe um 13º líquido de R$ 5.000 e já tem a reserva de emergência completa. A divisão dela ficou assim: R$ 1.200 para o IPTU à vista, R$ 1.000 para material escolar e uniforme do filho, R$ 2.000 para investir na meta de trocar de carro, R$ 500 para presentes e R$ 300 para uma viagem curta de fim de ano. Somando: 1.200 + 1.000 + 2.000 + 500 + 300 = R$ 5.000.

Erros comuns com o 13º

  • Contar com o 13º antes de receber. Parcelar compras de novembro pensando "pago com o 13º" é comprometer o dinheiro antes de ele existir.
  • Esquecer que a segunda parcela vem menor. Planeje com o valor líquido estimado, não com o bruto.
  • Investir com dívida cara em aberto. Nenhuma aplicação conservadora costuma render mais do que o rotativo cobra.
  • Gastar tudo em dezembro e esquecer janeiro. As despesas de início de ano são certas. Separe antes.
  • Não ter um teto para presentes. Sem limite, as compras de fim de ano crescem sem que você perceba.

E quem não recebe 13º?

Autônomos, MEIs e quem trabalha como PJ não recebem 13º por lei. Para essas pessoas, a saída é criar o próprio 13º: separar 1/12 da renda média todo mês numa conta à parte. Quem fatura em média R$ 6.000 por mês, por exemplo, guarda R$ 500 mensais e chega a dezembro com R$ 6.000 para usar na mesma ordem de prioridade.

Como o Tobbo ajuda

Na área de Economias do Tobbo, você acompanha a reserva de emergência, os investimentos e as caixinhas dos bancos num só lugar, e vê quanto o 13º fez a meta avançar. O app sugere um valor ideal de reserva a partir do seu histórico de gastos, o que ajuda a decidir quanto do 13º mandar para ela. E se bater a vontade de gastar o extra numa compra grande de fim de ano, dá para perguntar ao "Posso gastar?" antes, levando em conta as contas que vêm em janeiro.

Fontes oficiais e leituras

Perguntas frequentes

Quando cai o 13º salário?

O 13º pode ser pago em até duas parcelas. A primeira deve ser paga até 30 de novembro e corresponde à metade do salário, sem descontos. A segunda deve ser paga até 20 de dezembro, já com os descontos de INSS e Imposto de Renda sobre o valor total. A empresa pode antecipar a primeira parcela ou pagar tudo de uma vez até o prazo da primeira.

Por que a segunda parcela do 13º vem menor?

Porque todos os descontos do 13º, INSS e Imposto de Renda, são calculados sobre o valor total e descontados de uma vez na segunda parcela. A primeira parcela vem cheia, com metade do salário bruto. Por isso, para planejar o uso do dinheiro, o ideal é estimar o valor líquido total pelo holerite ou com o RH, em vez de contar com duas metades iguais.

É melhor pagar dívidas ou investir o 13º?

Na maioria dos casos, pagar dívidas caras primeiro. Os juros do rotativo do cartão, do cheque especial e de empréstimos pessoais costumam ser muito maiores do que o rendimento de aplicações conservadoras. Quitar essas dívidas equivale a um retorno garantido igual aos juros evitados. Dívidas baratas, como financiamento imobiliário, podem esperar enquanto você monta a reserva de emergência.

Como calcular o 13º proporcional?

Divida o salário bruto por 12 e multiplique pelo número de meses trabalhados no ano, contando como mês inteiro a fração de 15 dias ou mais. Quem ganha R$ 3.600 brutos e trabalhou 5 meses, por exemplo, tem direito a R$ 1.500 brutos de 13º (3.600 ÷ 12 × 5). Desse valor ainda saem os descontos de INSS e Imposto de Renda.

Vale a pena usar o 13º para pagar IPVA e IPTU à vista?

Costuma valer, principalmente quando o estado ou a prefeitura dá desconto para pagamento em cota única. Além do desconto, pagar à vista libera o orçamento dos meses seguintes. Mas a prioridade vem depois das dívidas caras e da reserva mínima: não faz sentido ganhar alguns por cento de desconto no imposto enquanto paga juros altos no cartão.

Revisão: Equipe editorial do Tobbo Finanças

Somos o time que constrói o Tobbo Finanças, um app de finanças pessoais e do casal, grátis para começar, com Open Finance. Escrevemos guias com base em fontes oficiais (Banco Central, Receita Federal, Tesouro Direto, B3, FGC) e em como as pessoas realmente lidam com dinheiro.

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