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Cartão de crédito e dívidas

Aplicativo para controlar cartão de crédito: guia prático

Saiba usar um aplicativo para controlar cartão de crédito, entenda fatura aberta e fechada, parcelas futuras e limite, com um exemplo de parcelas em reais.

Atualizado em 8 min de leitura

Resposta rápida

Um aplicativo para controlar cartão de crédito mostra a fatura aberta enquanto você compra, soma as parcelas que já comprometem os próximos meses, acompanha o uso do limite e avisa sobre assinaturas e cobranças recorrentes. Assim você decide antes de passar o cartão, em vez de descobrir o tamanho do problema quando a fatura fecha.

Pontos-chave

  • Olhe a fatura aberta toda semana, não só a fechada.
  • Parcelas pequenas somadas podem comprometer vários meses seguidos da sua renda.
  • O limite disponível não é dinheiro sobrando; é crédito que vira conta no mês seguinte.
  • Assinaturas no cartão são cobranças fáceis de esquecer e merecem revisão periódica.
  • Pagar só o mínimo leva o restante para o rotativo, o crédito mais caro do mercado.
Neste artigo
  1. Por que o cartão foge do controle
  2. Fatura aberta e fatura fechada
  3. Como as parcelas empilham: exemplo em reais
  4. Limite: quanto usar e o que observar
  5. Assinaturas e cobranças recorrentes no cartão
  6. O que um bom aplicativo de cartão deve mostrar
  7. Rotina semanal de 10 minutos
  8. Como o Tobbo ajuda
  9. Fontes oficiais e leituras
  10. Perguntas frequentes

O cartão de crédito é prático, dá prazo e às vezes até devolve pontos. O problema é que ele separa o momento da compra do momento do pagamento. Você compra hoje, a conta chega daqui a semanas, e nesse intervalo é fácil perder a noção de quanto já foi gasto. Quando a fatura fecha, o valor assusta.

Um aplicativo ajuda justamente nesse intervalo: mostra a fatura que ainda está aberta, soma parcelas que você nem lembrava e avisa quando o limite está sendo usado demais. Mas o app só funciona se você entender o que ele está mostrando.

Neste guia você vai ver a diferença entre fatura aberta e fechada, como as parcelas empilham ao longo dos meses (com um exemplo em reais), o que acompanhar no limite, como pegar assinaturas esquecidas e uma rotina semanal simples.

Por que o cartão foge do controle

O cartão tem três características que confundem o orçamento:

  • Atraso entre compra e pagamento. A compra de hoje só sai da conta no vencimento da próxima fatura, ou da seguinte, dependendo da data de fechamento.
  • Parcelamento. Uma compra de R$ 1.200 em 10 vezes parece custar R$ 120. Na verdade, ela compromete 10 meses da sua renda.
  • Cobranças automáticas. Assinaturas e serviços entram todo mês sem que você precise fazer nada, e por isso somem da memória.

Somados, esses três efeitos criam a sensação de que a fatura "veio errada". Quase sempre ela veio certa; o que faltou foi acompanhar.

Fatura aberta e fatura fechada

Todo cartão tem uma data de fechamento e uma data de vencimento. Entre um fechamento e o próximo, as compras vão para a fatura aberta. No fechamento, essa fatura vira fatura fechada, com valor definido, que você paga no vencimento.

ConceitoO que éPode mudar?O que fazer
Fatura abertaCompras desde o último fechamentoSim, a cada compraAcompanhar toda semana e frear se estiver alta
Fatura fechadaValor consolidado no fechamentoNão, exceto estornosProgramar o pagamento integral até o vencimento
Parcelas futurasParcelas de compras já feitas que entrarão nas próximas faturasSó aumentam com novas comprasSomar e tratar como conta fixa
Limite disponívelQuanto ainda pode ser usadoDiminui com compras e parcelasNão confundir com dinheiro disponível

Muita gente olha só a fatura fechada, que chega por e-mail ou notificação. Mas nessa hora o gasto já aconteceu. O controle de verdade está na fatura aberta. Para entender cada linha da fatura, veja o guia como entender a fatura do cartão.

Como as parcelas empilham: exemplo em reais

Patrícia recebe R$ 5.000 líquidos. Ela não tinha nenhuma parcela em aberto até janeiro, quando fez três compras parceladas sem juros:

  • Janeiro: celular de R$ 2.400 em 12 vezes de R$ 200.
  • Fevereiro: geladeira de R$ 3.000 em 10 vezes de R$ 300.
  • Março: passagens de R$ 1.500 em 6 vezes de R$ 250.

Para simplificar, considere que cada parcela cai na fatura do próprio mês da compra. Veja quanto das faturas já está comprometido só com parcelas:

MêsCelularGeladeiraPassagensTotal em parcelas% da renda
JaneiroR$ 200R$ 2004%
FevereiroR$ 200R$ 300R$ 50010%
Março a agostoR$ 200R$ 300R$ 250R$ 75015%
Setembro a novembroR$ 200R$ 300R$ 50010%
DezembroR$ 200R$ 2004%

As passagens têm 6 parcelas, de março a agosto. A geladeira tem 10 parcelas, de fevereiro a novembro. O celular tem 12, de janeiro a dezembro. Conferindo: 2.400 + 3.000 + 1.500 = R$ 6.900 em compras, e a soma da coluna de parcelas ao longo do ano dá 200 + 500 + (750 × 6) + (500 × 3) + 200 = 200 + 500 + 4.500 + 1.500 + 200 = R$ 6.900.

Durante seis meses, R$ 750 da renda de Patrícia já estão gastos antes de o mês começar. Se o custo de vida dela for de R$ 4.000 fora o cartão, sobram só R$ 250 (5.000 − 4.000 − 750) para qualquer outra compra no crédito, lazer ou imprevisto. Uma quarta parcela "pequena" de R$ 300 já faria o mês fechar no negativo.

Por isso, a pergunta certa antes de parcelar não é "a parcela cabe?". É "quanto das próximas faturas já está comprometido, e quanto vai ficar com essa nova compra?".

Limite: quanto usar e o que observar

O limite é o teto de crédito que o banco liberou, e ele é compartilhado entre a fatura aberta e todas as parcelas futuras. Uma compra parcelada de R$ 3.000 consome R$ 3.000 do limite no dia da compra, e o limite vai sendo liberado conforme as parcelas são pagas.

Alguns cuidados:

  • Limite disponível não é dinheiro disponível. É crédito que vira conta.
  • Uso alto do limite costuma pesar na análise de crédito. Bancos observam o quanto do limite você usa e se paga em dia. Uma referência prudente é não depender de usar perto do total.
  • Pedir aumento de limite para caber o mês é sinal de alerta. Se a fatura não cabe na renda, mais limite só adia o problema.

O guia quanto usar do limite do cartão de crédito aprofunda esse ponto.

Assinaturas e cobranças recorrentes no cartão

Streaming, academia, armazenamento em nuvem, aplicativos, clubes de assinatura: quase tudo é cobrado no cartão de crédito, todo mês, sem você precisar fazer nada. Isso é cômodo, mas também é por onde o dinheiro escapa sem ser percebido. Três situações são comuns:

  • Um teste grátis que virou cobrança e você não cancelou.
  • Uma assinatura que ficou mais cara num reajuste.
  • Um serviço que você usa pouco, mas que nunca para de cobrar.

Pelo Decreto 11.034/2022 e pelo Código de Defesa do Consumidor, o cancelamento deve ser possível pelo mesmo canal em que você contratou. Faça uma faxina a cada três meses. O passo a passo está em como controlar assinaturas e gastos recorrentes.

O que um bom aplicativo de cartão deve mostrar

Na hora de escolher, verifique se o app:

  1. Mostra a fatura aberta atualizada, não só a fechada.
  2. Separa parcelas futuras e mostra quanto de cada mês seguinte já está comprometido.
  3. Acompanha o uso do limite.
  4. Identifica cobranças recorrentes e avisa sobre mudanças de valor.
  5. Junta vários cartões numa tela só, se você tiver mais de um.
  6. Conecta pelo Open Finance, sem pedir senha do banco.

O app do próprio banco costuma resolver os itens 1 a 3 para aquele cartão. Se você tem cartões de bancos diferentes, um agregador ajuda a ver o total. Para comparar tipos de ferramenta, veja o guia sobre o melhor app de controle de gastos.

Rotina semanal de 10 minutos

  1. Abra a fatura aberta de cada cartão e veja o total até agora.
  2. Compare com o que você planejou gastar no cartão no mês.
  3. Some as parcelas que vão entrar nas próximas duas faturas.
  4. Confira se apareceu alguma cobrança recorrente nova ou mais cara.
  5. Se a fatura aberta já passou de 70% do planejado antes da terceira semana, pause compras não essenciais no crédito.

E uma regra que vale para qualquer mês: pague a fatura inteira. Pagar só o mínimo joga o restante no rotativo do cartão, que tem os juros mais altos do crédito para pessoa física. Se isso já aconteceu, o plano em como sair das dívidas do cartão mostra a ordem de ataque.

Como o Tobbo ajuda

O Tobbo conecta cartões e contas pelo Open Finance, com acesso somente leitura, e mostra a saúde do crédito, com uso de limite e faturas. A função "Posso gastar?" considera as faturas e parcelas antes de responder se uma compra cabe no mês. No Tobbo Premium, os alertas de recorrência avisam sobre assinaturas, inclusive quando uma delas fica mais cara, e é possível conectar bancos ilimitados. O plano gratuito permite 1 banco conectado. Hoje o app está disponível para Android.

Fontes oficiais e leituras

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre fatura aberta e fatura fechada?

A fatura aberta reúne as compras feitas desde o último fechamento e muda a cada nova compra. Na data de fechamento, ela vira fatura fechada, com valor definido, que deve ser paga até o vencimento. Para controlar gastos, acompanhe a fatura aberta toda semana, porque é nela que você ainda consegue frear antes de o valor ficar definido.

Como saber quanto já tenho comprometido em parcelas?

Some as parcelas de todas as compras parceladas ainda em aberto, mês a mês, para as próximas faturas. Muitos apps de banco e agregadores mostram esse total como "parcelas futuras" ou "lançamentos futuros". Trate esse valor como uma conta fixa: ele já está gasto antes de o mês começar e reduz o que sobra para qualquer nova compra.

Aplicativo do banco basta para controlar o cartão?

Basta para quem tem um único cartão e acompanha a fatura aberta com frequência. O app do banco mostra fatura, limite e parcelas daquele cartão. Quem tem cartões em bancos diferentes, ou quer ver o cartão junto com contas e orçamento, costuma se beneficiar de um agregador que conecta tudo pelo Open Finance, sem pedir senha do banco.

Pagar o mínimo da fatura é um problema?

É, porque o valor não pago vai para o rotativo, que tem os juros mais altos do crédito para pessoa física. Pela regra do CMN, o rotativo só pode ser usado até o vencimento da fatura seguinte; depois disso o banco deve oferecer parcelamento. Desde 2024, juros e encargos do rotativo não podem passar de 100% do valor original da dívida.

Como evitar que parcelas comprometam os próximos meses?

Antes de parcelar, some as parcelas que já estão em aberto e veja quanto da renda dos próximos meses elas ocupam. Defina um teto pessoal para o total de parcelas, por exemplo uma fração pequena da renda líquida, e só aceite uma nova parcela se o total continuar abaixo dele. Para compras não urgentes, juntar e pagar à vista evita o problema.

Revisão: Equipe editorial do Tobbo Finanças

Somos o time que constrói o Tobbo Finanças, um app de finanças pessoais e do casal, grátis para começar, com Open Finance. Escrevemos guias com base em fontes oficiais (Banco Central, Receita Federal, Tesouro Direto, B3, FGC) e em como as pessoas realmente lidam com dinheiro.

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Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.

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